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Ficar calado é concordar com o assédio sexual no ambiente de trabalho

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Segundo a psicóloga Jordana Ribeiro, o assédio acontece geralmente quando o assediador está em uma hierarquia superior do que a vítima na empresa, em que ele se sente na permissão de invadir o espaço do outro com a certeza de que não será punido

Após dois dias da aceitação da carta de renúncia do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, na sexta-feira (1º), o Conselho de Administração aceitou a carta de renúncia do vice-presidente de Negócios de Atacado, Celso Leonardo Barbosa, que foi citado nos relatos de funcionárias que afirmaram sofrerem assédio sexual dentro da empresa.

Na quarta-feira (29), as funcionárias se reuniram e fizeram um protesto em frente à sede da instituição, em Brasília, como ato reflexo das denúncias. Para a psicóloga Jordana Ribeiro, essa união entre as mulheres é de suma importância pois, em muitos casos, as vítimas de assédio sexual não denunciam por receio de sofrer represálias dentro do ambiente de trabalho ou por medo de perderem o emprego.

“A maioria engole calada a situação por medo de perder o emprego. Ela está ali para sustentar a família e se ela falar alguma coisa pode colocar o trabalho em risco. Outra questão é o sentimento de culpa, a vítima se questiona se deu alguma brecha, se algum comportamento dela deixou a entender alguma coisa.

A gente vive em uma sociedade onde a mulher é sempre a errada. Então ela se cala pelo medo de ficar exposta e ser julgada também. Por isso é importante as mulheres se unirem e terem um departamento de recursos humanos que dê esse respaldo para essa mulher falar. Onde ela não vai ser coagida, não vai ser exposta e não terá medo de perder o emprego por denunciar”, afirma a psicóloga.

Nos relatos, as funcionárias contaram que o agora ex-presidente da Caixa pedia “abraços mais fortes”, passava as mãos em partes íntimas e dizia frases com conotação sexual em contextos constrangedores. O assediador, segundo Jordana, tira proveito da relação hierárquica da empresa e comete os crimes de assédio sem se ater às consequências por acreditar que não sofrerá punições.

Outro fator que dá ao assediador a sensação de impunidade é a validação dos seus atos por meio do silêncio de quem visualiza o assédio, mas faz “vista grossa”.

“O assediador acredita que essa relação de hierarquia lhe dá o direito de invadir o espaço do outro. Essa invasão de espaço é algo muito sério que acontece bem mais do que a gente imagina no ambiente de trabalho. A mulher que sofre o assédio fica cada vez mais encurralada porque, às vezes, os homens visualizam as situações, não concordam com aquilo, mas ficam calados.

Ficar calado nessas situações é concordar com o assédio. Quanto mais se calam, mas o assediador se sente validado na postura que tem. Às vezes, ele é aquele homem brincalhão, comunicativo, extrovertido e as pessoas fazem vista grossa e encaram como uma brincadeira”, explica Jordana.

A psicóloga ressalta ainda que o assédio sexual está presente nas pequenas situações que deixam as mulheres constrangidas e por vezes, passam despercebidas. Além disso, casos como esses podem desenvolver transtornos psicológicos nas vítimas.

“Dentro do assédio sexual a gente percebe um contato físico forçado, às vezes um olhar de desejo para a mulher, elogios ambíguos que deixam a entender alguma situação que gera constrangimento, brincadeiras e comentários com cunho sexual que não cabem no ambiente de trabalho. Esses casos podem desencadear crises de ansiedade, transtornos de pânico ou até episódios depressivos”, conclui a psicóloga Jordana Ribeiro.

Delson Carlos

Delson Carlos, Assessor de imprensa,Profissional de Marketing , colunista social, passou pelo: Jornal A Hora, Jornal da Imprensa, Jornal Diário do Estado de Goiás . Há 10 anos, escreve a coluna social Paparazzi, do Jornal Diário de Aparecida. Editor da Revista Class. formando em Marketing e pós-graduado em Marketing digital. Estudioso das redes sociais.

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