Mais de 32 mil pessoas querem adotar no Brasil, mas milhares de crianças ainda esperam por uma família

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Diferença entre o perfil procurado pelos pretendentes e a realidade de crianças e adolescentes disponíveis, além da discriminação contra diferentes configurações familiares, será tema de encontro gratuito na UNIALFA

De um lado, mais de 32 mil pessoas habilitadas para adotar. Do outro, mais de 6 mil crianças e adolescentes disponíveis para adoção no Brasil. Os números parecem incompatíveis: se existem muito mais pretendentes do que crianças esperando por uma família, por que a fila continua existindo?
Dados atuais do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ajudam a explicar que a adoção não funciona como uma fila simples. O encontro entre quem deseja adotar e quem aguarda uma família depende, entre outros fatores, do perfil indicado pelos pretendentes e das características das crianças e adolescentes disponíveis.
Historicamente, um dos maiores desencontros está na idade. Levantamento do CNJ mostrou que 70,4% das crianças e adolescentes disponíveis tinham entre 8 e 18 anos, enquanto a grande maioria dos pretendentes manifestava preferência por crianças mais novas. Irmãos que precisam permanecer juntos, adolescentes e crianças com deficiência ou necessidades específicas de saúde também estão entre os grupos que enfrentam maior dificuldade para encontrar uma família.
Mas idade e condições de saúde não são as únicas barreiras que cercam a adoção. Preconceitos relacionados à própria configuração das famílias também fazem parte dessa realidade.
Quem pode adotar
Famílias formadas por uma mãe ou um pai solo, casais heterossexuais ou casais homoafetivos fazem parte da realidade brasileira. Ainda assim, a discussão sobre adoção continua atravessada por estereótipos e desinformação.
O próprio Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento destaca que crianças e adolescentes podem ser acolhidos por diferentes configurações familiares. Para o processo de adoção, o foco jurídico está na proteção integral e no melhor interesse da criança e do adolescente.
Em Goiás, o debate ganhou um novo capítulo neste ano com uma cooperação entre o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) e a UNIALFA para a elaboração de material informativo destinado a pessoas e casais LGBTQIAPN+ interessados em adoção. A iniciativa busca ampliar o acesso à informação, combater a discriminação e esclarecer direitos e garantias relacionados ao processo adotivo.
“Adoção e o direito à não discriminação”
É nesse contexto que a Escola de Direito da UNIALFA promove, nesta quinta-feira, 22 de outubro, a palestra
“Adoção e o direito à não discriminação”, aberta à comunidade
O encontro será realizado às 9h, no Auditório Maria Dilda, e também marcará o lançamento da cartilha Família, no plural.
A palestra terá como convidado Fábio Francisco Esteves, conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e doutor em Direito pela Universidade de São Paulo (USP).
A proposta é discutir adoção para além dos procedimentos burocráticos, abordando diversidade familiar, igualdade de direitos, preconceito e o papel das instituições na garantia da convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes.
A discussão também pretende ajudar a combater ideias preconcebidas sobre quem pode constituir uma família adotiva e ampliar o acesso da população a informações juridicamente seguras sobre o tema.
O processo de adoção no Brasil é gratuito e começa na Vara da Infância e da Juventude da região onde reside o pretendente. Pessoas maiores de 18 anos podem se habilitar independentemente do estado civil, desde que atendidos os requisitos legais, incluindo a diferença mínima de 16 anos entre adotante e adotado.
Autoridades participam do encontro
Além de Fábio Francisco Esteves, estão confirmadas autoridades do Judiciário e do sistema de Justiça de Goiás.
Participam o presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, desembargador Leandro Crispim; a juíza de Direito e coordenadora-geral da Infância e da Juventude, Célia Regina Lara; a juíza auxiliar da
Presidência do TJGO, Lidia de Assis e Souza; o juiz de Direito do TJGO e membro do Comitê de Equidade e Diversidade de Gênero, Vitor Barros Mouro; a juíza de Direito do TJGO e integrante do mesmo comitê, Luana Cavalcante de Freitas; e o procurador do Trabalho Tiago Ranieri de Oliveira, do Ministério Público do Trabalho.
O evento é aberto à população e os participantes receberão certificado de cinco horas.
Serviço:
Palestra: Adoção e o direito à não discriminação
Data: 22 de outubro de 2026
Horário: 9h
Local: Auditório Maria Dilda – UNIALFA
Realização: Escola de Direito da UNIALFA
Atividade: palestra e lançamento da cartilha Família, no plural
Participação: aberta à comunidade
Certificado: 5 horas
Inscrições: @unialfa
Participação confirmada:
Desembargador Leandro Crispim – presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO)
Fábio Francisco Esteves – conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), juiz de Direito do TJDFT e doutor em Direito pela USP
Célia Regina Lara – juíza de Direito e coordenadora-geral da Infância e da Juventude
Lidia de Assis e Souza – juíza auxiliar da Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás
Vitor Barros Mouro – juiz de Direito do TJGO e membro do Comitê de Equidade e Diversidade de Gênero
Luana Cavalcante de Freitas – juíza de Direito do TJGO e membro do Comitê de Equidade e Diversidade de Gênero
Tiago Ranieri de Oliveira – procurador do Trabalho do Ministério Público do Trabalho – MPT/MPU