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Cresce a procura pelo transplante capilar entre adultos jovens, mas especialistas alertam que, em alguns casos, uma segunda cirurgia faz parte da evolução do tratamento e não significa que o primeiro procedimento tenha falhado

DR. CLEBER STUQUE
A procura por transplantes capilares está cada vez mais precoce. Dados do Censo de Práticas 2025 da International Society of Hair Restoration Surgery (ISHRS) mostram que 95% dos pacientes que realizaram a primeira cirurgia de restauração capilar em 2024 tinham entre 20 e 35 anos. O levantamento também apontou um crescimento de 16,5% no número de mulheres submetidas ao procedimento em comparação com 2021, indicando que a busca por soluções para a calvície vem se ampliando entre diferentes perfis de pacientes.
Com o aumento da procura, também cresce uma dúvida comum entre quem pensa em realizar o procedimento ou já passou pela cirurgia: um único transplante capilar é suficiente para resolver o problema? Nem sempre. Em alguns casos, um segundo transplante pode ser indicado anos depois — e isso não significa, necessariamente, que o primeiro procedimento tenha falhado.
Segundo o médico especialista em implante capilar Dr. Cleber Stuque, a necessidade de uma nova cirurgia pode estar relacionada à evolução natural da calvície, à extensão da perda capilar ou à busca por maior densidade e naturalidade no resultado.
“O transplante redistribui os fios para as áreas calvas, mas não impede que a calvície continue evoluindo. Por isso, o acompanhamento médico e o tratamento clínico continuam sendo fundamentais para preservar os cabelos naturais”, explica.
Quando um segundo transplante capilar é necessário?
A indicação depende da evolução de cada paciente, mas algumas situações são mais frequentes.
Uma delas ocorre quando a calvície já está bastante avançada. Nesses casos, nem sempre é possível cobrir toda a área afetada em uma única cirurgia. O tratamento pode ser planejado em duas ou até três sessões para alcançar uma cobertura mais uniforme, respeitando a disponibilidade de fios da área doadora.
Outra situação comum acontece quando o paciente realiza o transplante nas áreas já calvas, mas continua perdendo os cabelos naturais ao redor. Com o passar dos anos, os fios transplantados permanecem, enquanto novas regiões podem apresentar rarefação, tornando necessária uma nova intervenção.
“Esse cenário costuma ocorrer quando a calvície continua evoluindo e o paciente abandona o tratamento clínico após a cirurgia. O transplante não interrompe a doença; ele redistribui os fios existentes”, ressalta o especialista.
Um segundo transplante significa que o primeiro deu errado?
Não necessariamente. De acordo com Dr. Cleber Stuque, muitos pacientes procuram uma nova cirurgia simplesmente porque desejam aumentar a densidade dos fios ou complementar áreas que perderam cabelo anos após o primeiro procedimento.
No entanto, também existem situações em que uma correção estética pode ser indicada.
Entre os principais motivos estão:
baixa densidade dos fios transplantados;
linha frontal com aspecto artificial;
direcionamento inadequado dos fios;
distribuição irregular dos enxertos.
“As técnicas evoluíram muito nos últimos anos. Hoje buscamos reproduzir o desenho natural do cabelo, respeitando a direção dos fios e a anatomia de cada paciente, para que o resultado seja praticamente imperceptível”, afirma.
Como saber se o resultado não evoluiu como esperado?
A ansiedade é comum após o transplante capilar, mas os especialistas alertam que o crescimento dos fios acontece de forma gradual.
Segundo o Dr. Cleber Stuque, o resultado definitivo costuma ser avaliado somente cerca de 12 meses após a cirurgia.
Antes desse período, alguns sinais podem indicar a necessidade de uma avaliação médica mais detalhada, como crescimento muito abaixo do esperado, inflamações persistentes no couro cabeludo ou dificuldade na integração dos enxertos.
Em situações mais raras, o desenvolvimento de doenças autoimunes após o procedimento também pode comprometer o resultado, embora não seja possível prever esse tipo de ocorrência.
É possível realizar um novo transplante na mesma área?
Sim. O procedimento pode ser repetido na mesma região, desde que seja respeitado o tempo necessário para cicatrização e avaliação completa do primeiro transplante.
“O ideal é aguardar aproximadamente um ano. Somente após esse período conseguimos avaliar o resultado definitivo e planejar uma nova cirurgia, caso ela seja realmente necessária”, explica.
Quando bem indicado e realizado em condições adequadas, o segundo transplante apresenta taxas de sucesso semelhantes às do primeiro.
Cinco erros que podem comprometer os resultados do transplante capilar
O sucesso do procedimento depende não apenas da técnica cirúrgica, mas também dos cuidados adotados pelo paciente antes e depois da cirurgia.
Os erros mais comuns são:
interromper o tratamento clínico da calvície;
acreditar que o transplante impede novas quedas de cabelo;
não seguir corretamente as orientações médicas no pós-operatório;
esperar o resultado definitivo antes de completar um ano;
deixar de realizar o acompanhamento periódico com o especialista.
O transplante faz parte do tratamento da calvície
Especialistas reforçam que o transplante capilar melhora a distribuição dos fios, mas não elimina a causa da calvície. Por isso, medicamentos e acompanhamento médico continuam sendo fundamentais para controlar a evolução da perda capilar e preservar os cabelos naturais ao longo do tempo.
“O sucesso do transplante não depende apenas da cirurgia. A continuidade do tratamento clínico é essencial para manter os resultados e retardar a progressão da calvície. Quando o paciente entende isso, as chances de alcançar um resultado duradouro são muito maiores”, conclui o Dr. Cleber Stuque.
Sinais de que um segundo transplante capilar pode ser indicado
- A calvície continuou avançando após a primeira cirurgia;
- Novas áreas do couro cabeludo passaram a apresentar falhas;
- O paciente deseja aumentar a densidade dos fios transplantados;
- O primeiro procedimento deixou baixa cobertura ou aspecto pouco natural;
- Ainda existe disponibilidade segura de fios na área doadora para uma nova cirurgia.