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Mesa de debate teve a participação dos cineastas Marcelo Pedroso e Gabriela Amaral, e mediação da jornalista Cláudia Nunes

As atividades do primeiro dia do Fica 2020 foram encerradas, nesta segunda-feira (16), com a mesa de debate “Cinema e Ativismo”. A discussão teve a presença dos cineastas Marcelo Pedroso e Gabriela Amaral, e mediação da jornalista Cláudia Nunes. A pauta do debate passou pela exemplificação do ativismo dentro das obras produzidas pelos cineastas (ficção e documentário), como as obras podem interferir na realidade social dos espectadores e a importância de uma educação audiovisual nas escolas.

“Fazer cinema na América Latina é ser um ativista”. Foi com essa frase que Gabriela abriu sua fala. Para ela, os últimos dez anos proporcionaram uma abertura do audiovisual em outras classes sociais e políticas no Brasil que trazem o debate e o ativismo para dentro das próprias obras. “A presença de nós, mulheres, nordestinas, negros, transexuais e classe trabalhadora faz com que o ato de contar história seja um ato político”, comentou.

A cineasta, que trabalha em obras de ficção, acredita que o gênero “nos faz olhar para nós mesmos por meio de uma história, alegoria, um causo…”. Segundo observou, “quanto mais você se afasta daquela imagem retratada na tela, mais essa imagem discursiva vai ficando evidente”.

E continuou: “A ficção pra mim não é imitação e nem distanciamento do discurso, ela é uma deglutição do outro. O bom cinema de ficção que é feito no Brasil é um cinema que se utiliza dessas técnicas de fabulação sem nunca esquecer do discurso”, declarou.

Documentário

Já Marcelo Pedrosa, que trabalha com o gênero de documentário, lembrou que muitas vezes é preciso reafirmar que o cinema é também uma forma política. Na visão dele, a sensação é que filmes ativistas precisam ter uma “legitimação” para serem reconhecidos como cinema.

“Eu acho que é algo que está sendo superado. A gente entende que existe uma forma política que é própria dos filmes, mas não é de certa forma essa forma propagandista, não que esses tenham problemas também”, comentou Pedrosa.

Ele lembra que “o cinema produz o imaginário, e isso é o ponto central para você referendar determinados tipos de realidade social”.  De acordo com Pedro, os documentários podem interferir na forma da sociedade se organizar, e é preciso que as lutas se apropriem do cinema como ferramenta.

“A forma que olhamos para o outro é fruto dessa sensibilidade e o cinema é capaz de transformar essa sensibilidade”, concluiu.

Educação

Segundo os produtores cinematográficos, é extremamente importante formar expectadores ativos, que podem se posicionar e agir em relação às imagens. Para isso, segundo Gabriela, é necessário introduzir o audiovisual e a dramaturgia dentro das escolas de ensino fundamental no Brasil, para que ele tenha “o direito de veicular sua imaginação” e entender o que existe de discurso no que é veiculado. Ela ainda lembrou que no Brasil há o “elitismo do artista”, em que o conhecimento cultural fica concentrado na mão de poucos.

Marcelo completou a fala da colega: “Quando a gente fala do ativismo, mais do que ter um discurso, acho que são filmes que instam os espectadores a uma autonomia. Precisamos convocar o espectador a isso”. 

Fica 2020

A mesa de debate “Cinema e Ativismo” foi transmitida ao vivo pela conta da Secretaria de Estado de Cultura (Secult Goiás) no Youtube. Por causa da pandemia da Covid-19, todas as atividades da 21a. edição do Fica serão virtuais.

Durante toda a semana, serão realizadas oficinas, laboratórios e mesas redondas, por meio de plataformas digitais. As mostras “Washigton Novaes” e “Fifi Cunha” também estão disponíveis durante esta semana de festival. Os filmes selecionados e toda a programação do Festival podem ser vistos no site www.fica.go.gov.br