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Casal gay sofre homofobia durante os preparativos para a realização da cerimônia de casamento

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Em um sábado de novembro de 2019, Denise Rocha e Erika Tavares se casaram com uma cerimônia digna de conto de fadas. Depois de quase cinco anos juntas, esse dia foi a realização de um sonho das duas, mas, antes disso, elas tiveram que passar por cima de preconceitos durante a preparação para cerimônia e da família

 

Mesmo com a diferença de 17 anos entre as duas, em que Denise por ser mais velha, veio de uma geração em que não haviam direitos civis garantidos para as pessoas LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) – ressaltando que a união entre pessoas do mesmo sexo só foi reconhecida em 2011 – elas resolveram enfrentar o preconceito da família e de alguns cerimonialistas que não quiseram realizar seu casamento. “O sonho de nos casarmos foi surgindo ao longo dos anos. A vontade era de construir uma vida ao lado dela”, conta Erika.

Elas já tinham união estável desde 2016 e eram casadas no civil desde 2018, mas queriam a consagração com uma festa e a presença de todos que amavam. Foi quando conheceram o trabalho da estilista Juliana Santos por conta de um vídeo do próprio casamento da profissional que Érika viu na internet. “Eu encontrei o vídeo de casamento dela quando estava buscando inspirações para fazer o pedido de casamento para Dê, achei linda a cerimônia, foi quando em 2017 me deparei com o Instagram da Juliana e associei ao vídeo de casamento, até então não sabia que ela era estilista de noiva, então comecei a acompanhar seu trabalho. Em cada vestido eu ficava mais encantada e tinha a certeza que se um dia eu me casasse, ela que faria meu vestido”, descreve ela.

Preparação para cerimônia e preconceito

Érika então, com a certeza que queria o casamento dos sonhos, se inscreveu para o  Noivas às Cegas, projeto da estilista Juliana em que as noivas só veem o vestido, poucas horas antes da cerimônia. “Eu tinha visto que a Jú tinha feito o vestido de um casal de mulheres em Brasília, isso me deixou mais encantada, pois entendi que não seria nenhuma barreira o fato de ser um casamento homoafetivo”, lembra ela.

Como a estilista gostou da história das duas, resolveu criar dois vestidos, um para cada. Mas nem tudo são flores e quando começaram os primeiros preparativos para a celebração, se depararam com o primeiro caso de homofobia, o não de uma cerimonialista por ser um casamento gay.

“Começamos as pesquisas, e logo de cara já nos deparamos com algumas demostrações do que íamos enfrentar. Em contato pelo WhatsApp com uma cerimonial eu falei da data e ela disse que estava disponível, quando revelamos que éramos um casal homoafetivo, ela se desculpou e disse que não realizava casamentos gays. Para nós foi muito difícil, quando eu li a mensagem, me lembro até hoje daquela sensação,  foi como um soco no estômago. Fiquei desanimada, passei mais de uma semana sem conseguir dar continuidade aos contatos, tive muito receio de termos que enfrentar isso muitas outras vezes, pois para realizar um casamento, são muitos fornecedores/as envolvido/as”, lamenta Érika.

Depois dessa experiência, Érika construiu um texto padrão sobre toda situação e já iniciava a abordagem com os fornecedores com ele. “Foi a partir daí que tudo fluiu,com algumas indicações certas e ajuda da Juliana, conheci algumas pessoas que deram andamento para a celebração sair de acordo com o que queríamos”.

Mesmo com indicações, o casal estava com um receio de que fossem tratadas de forma hostil novamente. “Teve um fornecedor que nos recebeu super bem, mas disse que não iria postar nada na página de sua empresa se fechássemos com ele, no que afirmou em reunião que seria para nos preservar, mas sabemos que era por receio de perder novos clientes”.

Preconceito em família

A medida que a data foi se aproximando e começaram a falar para as pessoas do círculo familiar e amigos, elas ouviram diversos muitos as desincentivos, como por exemplo, “vocês vão querer mesmo enfrentar isso” , “por que não usam esse dinheiro para outras coisas”? “A leitura que fazíamos, é que essas coisas comumente não são ditas a heterossexuais, na verdade para o universo heterossexual isso é algo até cobrado. Quando começa a namorar, a tia, avó, primas já começam a perguntar ‘e aí vai casar quando’, ‘esse casamento sai ou não sai’, e tantas outras falas que de maneira geral, podem ser entendida como incentivo e aprovação. Algo que pessoas LGBTs não costumam ouvir”.

Érika e Denise decidiram que convidariam todos os familiares,  mesmo sabendo que alguns poderiam não receber bem o convite. “Acabamos nos surpreendendo positivamente com alguns familiares, tivemos alguns que não puderam vir por motivos maiores, mas que fizeram questão de justificar a ausência e outros realmente não foram, acreditamos por terem uma aproximação religiosa onde o casamento é entendido como um sacramento sagrado, reservado somente as pessoas heterossexuais. Nós tentamos nos fortalecer ao máximo ao longo da preparação do casamento para lidar com essas adversidades e formas de preconceito, mesmo que às vezes, aparecia de forma sútil, sendo ainda preconceito. Tivemos dificuldade, mas também tivemos a oportunidade de conhecer e reconhecer pessoas maravilhosas. Estamos transbordando de alegria e gratidão por tudo que vivemos, o amor é nossa força e venceu novamente”, ameniza a recém casada.

Delson Carlos

Delson Carlos, Assessor de imprensa,Profissional de Marketing , colunista social, passou pelo: Jornal A Hora, Jornal da Imprensa, Jornal Diário do Estado de Goiás . Há 10 anos, escreve a coluna social Paparazzi, do Jornal Diário de Aparecida. Editor da Revista Class. formando em Marketing e pós-graduado em Marketing digital. Estudioso das redes sociais.

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